Archive for maio \27\UTC 2012

A Solidão a dois

Escutara várias vezes os mais velhos falando que a pior solidão é aquela que se sente estando junto de alguém. Era difícil entender como isso podia acontecer. Como em outras situações, aqui também, é preciso vivenciar para poder entender.

Quem já viveu junto de alguém, sem contar com seu apoio ou cumplicidade, sabe do que eu falo. Quem já viveu com alguém que trai e mente, sabe do que eu falo. Quem já viveu com alguém que se preocupa mais com a imagem que passa para as pessoas do que com o amadurecimento de um afeto, sabe do que eu falo. Quem já viveu com alguém que não respeita acordos por medo de se posicionar e se expor, sabe do que eu falo. Quem já viveu com alguém que não divide o que faz e sente, sabe do que eu falo.

Por que, então, quem já está sozinho se ilude que não está? Por que, então, não desiste e rompe a relação, alegando ter medo de ficar só, quando já está?

Lidando com casais, pude observar que há um alimentar de fantasias para suprir o vazio instalado a dois: “ruim com ele, pior sem ele”, “continuo por causa dos filhos”, “não ganho o suficiente”, “sinto-me um fracassado, se me separar”, tenho medo de me arrepender e, aí, vai ser tarde” etc…

Talvez, o medo de ficar só seja tão forte, que ter alguém, mesmo sem qualidade, voltando para casa, seja a grande sabotagem para não vivenciar concretamente a solidão e ter que cuidar de si. Desse modo, vivendo sem conviver, morando com, mas em exclusão, pessoas adoecem, ficam deprimidas, hipertensas, dormem mal, têm úlceras, fortes dores de cabeça, abusam do álcool… O corpo trai e revela o que a alma cala.

Talvez, no fundo, haja o medo de arriscar, ao abrir a porta. Quando estiver só, não haverá alguém para responsabilizar pelas falhas, pela existência de problemas ou pela própria dificuldade de ser feliz… Entretanto, a vida não perdoa quem fica ou quem não faz por medo, apenas. Mais cedo ou mais tarde, a pergunta será feita: “o que fiz com a minha vida, até agora?”

Ninguém é feliz sozinho. A solidão a dois é loucura adormecida, torna-se companheira, mau conselheira, é como doses lentas de amargura. O amor não se adapta.

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Talvez…

 

TALVEZ

“Talvez eu venha a envelhecer rápido demais.

Mas lutarei para que cada dia tenha valido a pena.

Talvez eu sofra inúmeras desilusões no decorrer de minha vida.

Mas farei que elas percam a importância diante

dos gestos de amor que encontrei.

Talvez eu não tenha forças para realizar todos os meus ideais.

Mas jamais irei me considerar um derrotado.

Talvez em algum instante eu sofra uma terrível queda.

Mas não ficarei por muito tempo olhando para o chão

Talvez um dia o sol deixe de brilhar.
Então irei me banhar na chuva.

Talvez um dia eu sofra alguma injustiça.
Mas jamais irei assumir o papel de vítima.

Talvez eu tenha que enfrentar alguns inimigos.
Mas terei humildade para aceitar as mãos que se estenderão em minha direção.

Talvez numa dessas noites frias, eu derrame muitas lágrimas.
Mas não terei vergonha por esse gesto.

Talvez eu seja enganado inúmeras vezes.
Mas não deixarei de acreditar que em algum lugar alguém merece a minha
confiança.

Talvez com o tempo eu perceba que cometi grandes erros.
Mas não desistirei de continuar trilhando meu caminho.

Talvez eu perca grandes amizades.

Mas irei aprender que aqueles que realmente são meus verdadeiros amigos
nunca estarão perdidos.

Talvez algumas pessoas queiram o meu mal.
Mas irei continuar plantando a semente da fraternidade por onde passar.

Talvez eu fique triste ao concluir que não consigo seguir o ritmo da música.
Mas então, farei que a música siga o compasso dos meus passos.

Talvez eu nunca consiga enxergar um arco-íris.
Mas aprenderei a desenhar um, nem que seja dentro do meu coração.

Talvez hoje eu me sinta fraco.
Mas amanhã irei recomeçar, nem que seja de uma maneira diferente.

Talvez eu não aprenda todas as lições necessárias.
Mas terei a consciência que os verdadeiros ensinamentos
já estão gravados em minha alma.

Talvez eu me deprima por não ser capaz de saber a letra daquela música.
Mas ficarei feliz com as outras capacidades que possuo.

Talvez eu não tenha motivos para grandes comemorações.
Mas não deixarei de me alegrar com as pequenas conquistas.

Talvez a vontade de abandonar tudo torne-se a minha companheira.
Mas ao invés de fugir, irei correr atrás do que almejo.

Talvez eu não seja exatamente quem gostaria de ser.
Mas passarei a admirar quem sou.
Porque no final saberei que, mesmo com incontáveis dúvidas,
eu sou capaz de construir uma vida melhor.
E se ainda não me convenci disso, é porque como diz aquele ditado:”ainda não
chegou o fim”.

Porque no final não haverá nenhum “talvez” e sim a certeza
de que a minha vida valeu a pena e eu fiz o melhor que podia.”